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XANGÔ
O GRANDE AMOROSO
Xangô é um deus ctoniano e, portanto, itifálico.
De início, vêmo-lo como divindade hermafrodita. Muitas efígies
suas na África – imagens de madeira, tendo no alto da cabeça,
destacado, o machado bifronte – mostram, também em destaque, os
seios volumosos. E mesmo no Brasil, no sincretismo católico, Xangô
é às vezes identificado com Santa Bárbara. Aos poucos,
porém, ele vai se afirmando em sua orgulhosa virilidade. Altivo e dominador,
elegante e cheio de sedução, usa cabelos encaracolados, brincos
de argolas metálicas, colares e pulseiras.
Numa lenda contada por João do Rio, andava Xangô pelas aldeias,
de tribo em tribo, apoderando-se das mulheres alheias. Encontrando a velha Olobá,
Xangõ agarrou-a à força e depois foi com ela viver, numa
cama feita de olentes folhas de manjericão. Até que, cansado da
velha, Xangô fugiu. Mas Olobá pertencia à família
dos orixás, era avó de Oxun. Por isso Xangô teve de enfrentar
perigos incontáveis – um inimigo em cada canto, uma guerra em cada
tribo, uma serpente em cada moita. Refugiou-se, por fim, no palácio da
rainha Oxun, comparedes de cristal líquido e colossais repuxos de cores
estranhas. Após inúmeras peripécias, Xangô consegue
livrar-se dos seus inimigos e da velha Olobá. Triunfalmente, ele se atira
nos braços da rainha. “Uma nuvem gigantesca encheu os céus,
as árvores partiram-se e, ao clangor dos trovões, toda a terra
se embebeu sequiosa no temporal”. Do enlace de Xangô e Oxun nasce
a chuva benfazeja.
HETEROMORFIA E SINCRETISMO
Xangô é identificado com São Jerônimo, o erudito
doutor da Igreja latina e, excepcionalmente, com Santa Bárbara.
No cancomblé, usa saiote e calça, coroa de cobre, metal precioso
em Iorubá, braceletes e colares de cauris ou búzios.
Xangô-Airá, velho e alquebrado, veste-se de branco com barras vermelhas.
Não come aceite, pois tem pacto com Oxalá. Identificado com SãoPedro.
Forma cada vez mais rara nos candomblés.
Xangô de Ouro, um adolescente vestido de cores variadas, é São
João Menino. Não “desce” mais, porque deixaram de
ser encontradas as ervas necessárias, nos ritos de iniciação,
para a “entrada na cabeça” desse orixá. Um Xangô
banido pela destruição ecológica.
Xangô Ogodô dança com um ochê em cada mão e
o próprio nome é referência ao machado duplo, pois ogodô
significa “que corta dos dois lados”.
Em Recife cultuam dois Xangôs principais: Xangô-Velho, identificado
com São Jerônimo, cuja festa é a 30 de setembro, e Xangô-Moço
(Ani-Xangô), sincretizado com Saõ João e celebrado a 24
de junho. Dos seus símbolos e insígnias, o machado duplo ou “muleta”
e o pilão são conservados no peji, de onde podem sair em determinados
rituais. Jamais é retirado, no entanto, o”corisco” ou itá
ou otá (pedra-do-raio), que permanece guardado num alguidar (oberá).
Xangô é tão popular em Pernambuco, que o nome passou a designar
terreiros e, ainda mais extensamente, todas as seitas afro-brasileiras.
Entre as várias formas de Xangô citam Xangô Dadá,
em Porto Alegre identificado com São João Batista e que no seu
dia, 24 de junho, não “baixa” porque, com a queima de fogos
que o festejam, ele iria incendiar o mundo.
Na realidade, Dadá é o irmão mais velho de Xangô,
que abdicou em seu favor, quando de Oyá. Dadá dança coroado
com o adé-de-banhami ou corão de Dadá, um capacete vermelho,
todo ornamentado de cauris e de cujas bordas pendem fios também cobertos
de búzios. Quando Dadá se manifesta num candomblé, logo
baixo um Xangô, que tira o adé-de-banhami e coloca na própria
cabeça. Após dançar algum tempo com essa coroa de Dadá,
Xangô acaba por devolvê-la, num símbolo da restituição,
após sete anos, do reino de Oyó, que estava em poder de Xangô.
Xangô o Zeus iorubano é conhecido também (dependendo da nação) como : Xangô (nagôs), Sobô, Sogbo (jejes), Badé, Quevioçô (fanti-ashanti), Conucon (tapa), Abaçucá (agrôno), Zaze, Cambãranguange ou Kubuco (bantos). Ele foi marido de três iyabás que foram rios africanos: Oiá (Niger), Oxun e Obá. (segundo Pierre Fatumbi Verger) – no livro Orixás.
Sua saudação – Kaô kabiecí! – significa "Venham ver o Rei!"
Xangô dança brandindo seu machado duplo e, quando o ritmo se acelera, faz o gesto de atirar pedras-do-raio imaginárias, tiradas do labá, uma bolsa decorada que ele leva a tiracolo.
Numa festa de Xangô, por vezes, os que estão possuídos pelo Orixá ingerem pedaços de algodão embebidos em azeite-de-dendê, que se incendeia, proeza que presenciamos algumas vezes no terreiro do pai-de-santo Júlio Estaves, em Olinda,RJ (Conta Pierre Verger, no livro citado). Esse algodão incandescente – o acará – serve para provar que o Orixá está presente e, portanto, não há simulação.
MITO
XANGÔ RECONDUZ OXALUFÃ AO REINO DE OXAGUIÃ
Mito famoso é aquele em que Oxalufã (Oxalufã, é
o Oxalá velho) vai ao reino de Oyó, em visita a Xangô. Confundido
com um ladrão pelos súditos do rei, Oxalá velho tem as
pernas e os braços quebrados, permanecendo sete anos na prisão.
Sobrevêm por isso várias desgraças, que levam Xangô
a descobrir a causa e reparar a injustiça cometida. Xangô carrega
Oxalufã até o seu reino de Infá, de onde partira sete anos
atrás.
Esse mito etiológico explica a origem do odô e o porquê das duas cores de Xangô: além do vermelho, como senhor do fogo, recebeu também o branco, como recompensa por haver carregado Oxalufã, o Oxalá velho, orixá da alvura e da pureza.
O OBÔ – milho branco cozido, sem sal, a que algumas tribos africanas juntam limo-da-costa (ouri) – o Obô foi o prato de sustentação no banquete de Oxaguiã, festejando o regresso do seu velho pai, Oxaguiã. E é no pilão de Xangô (odô) que é triturado esse milho ritual, na cerimônia das águas de Oxalá.
EDUN ARÁ, A PEDRA-DO-RAIO
As pedras-do-raio – edun ará dos iorubanos – são fetiches de Xangô, imantados com a força da divindade.
Acredita-se que essa pedra-do-raio, também chamada pedra-de-santa-bárbara, cai do céu durante as tempestades, conduzida pelas faíscas elétricas, penetrando no chão a uma profundidade de sete braças e só subindo à superfície após sete anos.
Quem consegue encontrar uma dessas pedras terá em mãos talismã dos mais valiosos, que proporciona todas as venturas.
As pedras-do-raio são, na realidade, achados arquológicos da era neolítica – machados, martelos e fragmentos de artefatos de pedra polida, aos quais se atribuía uma origem meteorológica.
Divindade dos meteoritos, na litolatria de Xangô, observou Nina Rodrigues, "se confendem os casos de adoração dos penhacos e grandes pedras dos campos e estradas".
XANGÔ, O ZEUS YORUBANO
(Nota: Série de Palestras feitas pela Astróloga Maria Luiza Andrade)
XANGÔ é o senhor da justiça e lançador de raios
e meteoritos, tal como ZEUS ou JÚPITER.
O símbolo a ele associado é o de dois martelos (os juizes na sociedade
ocidental, também usam o martelo nas suas decisões, no tribunal),
que mostram seu poder de determinar o que é certo e o que é errado
e sua disposição inabalavelmente imparcial, visando, acima de
tudo, a verdade. É uma figura sólida, tanto por esse papel como
pelo elemento que a ele é associado: a pedra. Também a ele pertencem
os raios, que, segundo as lendas, só atingem os que forem considerados
por Xangô. Esta é a imagem a ele associada, onde se destacam também
certa vaidade e elegância e uma grande consciência de si próprio.
Seus filhos possuem a força magnética dos que sentem que têm
poder sobre os outros – e geralmente alcançam o que querem.
Suas cores, no candomblé são o vermelho e o branco e seu dia a
quarta-feira. O Xangô umbandista tem suas cores no marrom e amarelo-ouro,
bebe cerveja preta e tem sua morada e o seu altar na rocha, de preferência
onde haja também uma cachoeira.
Na astrologia, Xangô tem relação com o elemento FOGO ou
com planetas e Casas desse elemento – Marte e Júpiter e o Sol e
Casas I (Marte/Áries), Casa V (Sol-Leão) e Casa IX (Júpiter-Sagitário).
XANGÔ é autoritário, o dono da última palavra (como
são os jupiterianos, em geral), capaz de dar socos na mesa para dramatizar
sua expressão e exibir força física e arrogância.
É sensual, majestoso, sólido, líder, difícil de
ser derrubado. Seu ponto fraco é o coração, o que nos levaria
a relacioná-lo a JUPITER e SAGITÁRIO.
Os filhos de XANGÔ são pessoas totalmente voltadas para a sexualidade
e o egocentrismo. A parte negativa está na crueldade, injustiça,
alienação, violência e orgulho desmedido, além da
ambição cega.
Assim como Zeus no Olimpo, o elemento de XANGÔ são as pedras, os
raios; é o Senhor da Força e da Justiça. Por ser a força,
XANGÔ é considerado dentro do OBÁ como rei
XANGÔ rege, portanto, os signos de LEÃO e SAGITÁRIO. Autoritário,
dominador, é um líder nato, um guerreiro difícil de ser
derrotado, características dos nativos de Leão. Simboliza ainda
a lei e a justiça, atributos de Júpiter. É sociável
e aproveita o melhor da vida, o que o associa ao signo de Sagitário.
Corresponde a Júpiter.
Os dias do ano em que é festejado: 25 de janeiro (Dia de São Paulo
Apóstolo), 29 de junho (Badé)=Dia de São Pedro);dia 19
de março (Alafin=Dia de São José);dia 24 de junho (Afonjá=
São João) e é claro, o dia 30 de setembro(Agodô=São
Jerônimo). São-lhe sacrificados: carneiro, galo, cágado
(ajapá). Sua comida é um caruru especial (amalá).
Atributos de Xangô: o machado duplo(oxê)e a pedra-do-raio (edun
ará).
De acordo com a nação, Xangô recebe os seguintes nomes:
Xangô(nagôs), Sobô, sogbo (jejes), Badé, Quevioçô
(fanti-ashanti), Vonucon (tapa), Abaçucá (agrôno), Zaze,
Cambãranguange ou Kibuco (bantos).
XANGÔ é associado ao deus grego ZEUS ou JÚPITER que, segundo
dizem os poetas, é o pai dos deuses e dos homens, reinando no Olimpo,
e com um movimento de sua cabeça, agitava o Universo.
Após uma batalha para destronar seu pai, e auxiliado por seu irmão
NETUNO e PLUTÃO, JÚPITER recebeu dos Ciclopes (Titãs encarcerados
no Tártaro, por ordem de seu pai Saturno) o trovão, o relâmpago
e o raio; um capacete foi dado a Plutão e a Netuno um tridente. Com essas
armas, os três irmãos venceram Saturno, expulsaram-no do trono
e da sociedade dos deuses.
Depois do destronamento de Saturno, JÚPITER e seus irmãos repartiram
os domínios daquele. A Júpiter coube a parte dos céus;
a Netuno, o Oceano e a Plutão, os reinos da morte. A Terra e o Olimpo
eram propriedades comum – Júpiter era o rei dos deuses e dos homens.
O raio era sua arma e carregava um escudo chamado égide, feito para ele
por Vulcano. A águia era sua ave favorita. Juno (Hera) foi sua esposa
e era a rainha dos deuses. Íris, a deusa do arco-íris, era sua
donzela e mensageira. O pavão real era seu pássaro favorito.
Na astronomia, assim como vemos no estudo do Orixá XANGÔ, e no
deus Zeus, Júpiter é o maior planeta, capaz até de projetar
sombra na Terra.
Segundo o mito, Júpiter é o pai Abraão, Brahma, Jeovah.
O Sol é o poder espiritual e Júpiter é o pode temporal.
Para os egípcios, era AMON, deus de Tebas, no Alto Egito. O deus invisível
que animava todas as coisas e acompanhava as guerra imperiais; o intrépido
e insensato, mas o corajoso.
Os nomes Abraão e Brahma derivam do sânscrito e significam: luz.
Na Índia era também Vishnu, o preservador. Para os gregos era
ZEUS, o grande deus que reinava no Olimpo, a montanha sagrada. Carregava um
raio em sua mão e era o Todo-Poderoso, o onipotente. Mas um deus acessível,
com defeitos humanos como a luxuria, e o furor. Teve vários amores e
filhos. Seus atributos também eram a chuva, as nuvens, os raios e os
trovões. Presidia toda a família divina.
SAGITÁRIO, signo regido pelo planeta Júpiter, mostra características
de seus filhos, tão semelhantes as dos filhos de Xangô, com um
temperamento ativo, expansivo e egocêntrico, são pessoas desprendidas,
generosas, enérgicas e combativas; possuem um temperamento impulsivo,
ambicionam posição e poder, além de serem caridosos com
os infelizes e oprimidos.
Quem tem a proteção de Xangô sabe: não há
nada nem ninguém que destrua um
filho desse orixá. Podem até conseguir levá-lo ao fundo
do abismo, mas
depois de algum tempo ele renasce com mais vigor e volta a enfrentar o mundo
de peito aberto. Sem medo. Essa é uma característica herdada do
pai, Xangô,
entidade mais forte do Candomblé brasileiro. São dele a força,
o poder e a
capacidade de fazer e desfazer todas as coisas. Mas ele não age sem uma
boa
razão: Xangô tem um senso de justiça muito acentuado. Exige
exclusividade,
mas nunca consegue resistir a uma aventurazinha. Segue os passos do pai,
marido de muitas esposas, das quais as prediletas são a dengosa Oxum
e a
guerreira Iansã - esta, a parceira ideal, pois o acompanha a todas as
frentes de batalha, luta sempre ao seu lado, ajudando-o a derrotar os
inimigos.
São essas as características que os filhos de Xangô exigem
dos parceiros.
Ousados e cheios de iniciativa, quando se apaixonam, fazem o impossível
para
conquistar o ser amado. São diretos, sem rodeios, vão logo ao
que interessa.
Atrevidísssimos, não descansam enquanto não conseguem o
que querem. E adoram
variar as relações amorosas.
Xangô é o próprio Fogo, energia inesgotável, devastadora.
Ninguém fica imune
ou indiferente à sua passagem. Não há como ignorar a pompa
e a altivez desse
integrante da alta aristocracia africana que um dia, encurralado pelas lutas
em torno do poder, acabou se suicidando em plena selva. Preferiu a morte a
perder a dignidade. Além disso, Xangô nunca suportou disputas pelo
poder.
Tem consciência de que só ele possui as qualidades necessárias
para
exercê-lo com vigor e justiça. Porque não conhece o significado
das palavras
obediência, submissão e medo.
Valente e protetor, ele foi rei de Oió, e fundou uma dinastia de heróis
lutadores. Orixá da Justiça e do Fogo, Xangô é o
quarto Alafin de Oió, e
viveu em 1450 ªC., destacando-se pela sua valentia e liderança.
Foi marido
de Oxum, Obá e Oiá (Iansã).
Ele é filho de Oranyian, e tem Yamasse como sua mãe. Castiga mentirosos,
infratores e ladrões. Por isso a morte pelo raio é considerada
infamante,
assim como uma casa atingida por uma descarga elétrica é tida
como marcada
pela ira de Xangô.
O xeré é um chocalho feito de cabaça alongada, que quando
agitado lembra o
barulho da chuva. Ele é um dos símbolos de Xangô.
Garboso, Xangô é conhecido também como o "dono das
mulheres", mas mesmo
assim frequentemente seus filhos do sexo masculino terminam a vida
solitários. Um dos mais populares Orixás do Novo Mundo (não
somente no
Brasil, mas também nas Antilhas), seu arquétipo pode ser resumido
assim:
pessoa voluntariosa, altiva, mas que não tolera ser contrariada. Geralmente,
imbuída de um profundo sentido de justiça e sinceridade, sendo
bem
consciente de sua própria dignidade e valor.
Natureza: pedreiras, meteoros, minérios, tempestades, raios e trovões.
Metal: bronze
Pedra: Granada
Perfumes: Drakkar, Yves pur Homme, Brut Colegne.
Como usar: alternadamente, às quartas-feiras.
Talismã: fio de miçangas vermelhas e brancas.
Oferenda: papa de quiabo batida (ajobó), feita com as mãos, em
azeite de
dendê, oferecida em pedreira, de preferência numa quarta-feira.
Dia: quarta-feira.
Cor: vermelho vibrante.
O culto a cada orixá tem rituais específicos e complexos, mas
você pode obter a ajuda desses deuses da natureza também por meio
de simpatias como a que mostra abaixo a Iá-quereré (mãe
pequena) Mara Kiss Ivanicska, para livrar-se dos inimigos, homenageando Xangô:
" Pegue uma folha de papel branco virgem e escreva nele o nome das pessoas
que sentam inveja de você ou que não lhe fazem justiça.
Em seguida, enrole o papel e coloque-o num copo com água e sal grosso,
dizendo:
"Xangô, que meus inimigos não me invejem, que a força
deles seja quebrada e que eles de mim se esqueçam".
Sete dias depois, pegue o papel, seque-o, queime-o e espalhe as cinzas ao vento."
|
Pesquisa elaborada e enviada por Maluh
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| Trabalho feito nos grupos MulherNatural e Lux, pesquisado por Maluh e compilado por Ana Lúcia - Jul/2002
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