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Pensamento: Perguntas e Respostas
Observe
sua mente enquanto você lê este texto! Observe que a cada palavra
que você lê um novo pensamento surge. Observe que este pensamento
que está ocupando sua atenção AGORA, passou, pois acabou
de ser empurrado por ESTE aqui, que por sua vez, é empurrado por ESTE
aqui, e ESTE, e assim por diante. Para deixar o exemplo mais colorido, observe
como a MELANCIA VERDE é empurrada pelo ELEFANTE AZUL...
O pensamento é um jogo de ping-pong. De um lado batem os estímulos, do outro lado, responde a memória. O pensamento é a bolinha, o ponto sempre em movimento. Pra cada raquetada, não existe outra possibilidade, senão outra; pra cada pensamento, não existe outra possibilidade, senão outro pensamento.
Mas, se o pensamento é reação inevitável da memória aos estímulos, quem pensa? Quem controla?
Bom, se o pensamento é reação mecânica da memória, pensar com certeza não é uma ação que possa ser controlada! O que o individuo pode, no máximo, é fazer uma pergunta a memória, mas quem responde é o seu automatismo.
Por exemplo, pergunte a si mesmo algo sobre sua vida. Qualquer coisa. Seu endereço, por exemplo... Viu como a resposta veio automaticamente! Agora, pergunte-se sobre a vida de Zimber? (...) Como não tem memórias sobre ele, nada pode responder... Assim, parece claro que o individuo não tem controle sobre as respostas, mas será que tem controle sobre as perguntas?
Como surgem as perguntas? Se observarmos o surgimento das perguntas, veremos que surgem sempre após uma constatação, ou seja, uma resposta. Por exemplo, você acorda de manhã, constata que acordou e surge a pergunta: “o que será que tenho que fazer hoje? A memória responde: ”abra a agenda!”. Você abre-a e constata que é dia do aniversário de um amigo. Surge na mente a imagem do amigo. A imagem gera a pergunta: “qual o numero do telefone dele?”. Imediatamente surge a resposta: o numero na tela mental...
Note que uma pergunta nunca surge do nada, a pergunta é sempre fruto de uma constatação. Mas se a constatação é mecânica, e, inevitavelmente geradora de perguntas, então, perguntar também é uma ação mecânica da memória.
Mas porque as respostas são sempre diferentes? Ora, como não existem duas memórias iguais, mesmos que duas pessoas recebam o mesmo estimulo (este texto por exemplo) nunca irão fazer as mesmas perguntas, nem dar as mesmas resposta.
Enfim, se é impossível controlar respostas e perguntas: Quem pensa? Quem controla o pensamento?
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| Trabalho de autoria de Marcelo Ferrari, enviado ao Grupo Lux por Cleusa Bechelani - Jan/2003
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